Sorry o cacete!

Em 2007, quando o Brasil foi oficializado como sede na Copa do Mundo de 2014, eu estava quase terminando a faculdade de jornalismo e o sentimento era um só, se firmar no mercado de trabalho para poder cobrir o mundial no meu país.

Passados esses 7 anos nem eu e o Brasil se preparamos para a Copa, porém por conta do projeto Copa sobre Rodas estou tendo a oportunidade de viver uma experiência totalmente diferente do que esperava nos tempos de faculdade. Após os três jogos que nos programamos para assistir nas arenas pelo Nordeste a palavra que define os jogos é espetacular.

E não estou me referindo ao show de gols proporcionados pela Holanda e Alemanha que massacraram Espanha e Portugal respectivamente, nem na surpresa proporcionada pela Costa Rica ao vencer a Itália. Espetacular é o clima que só uma Copa do Mundo pode proporcionar.

Em cada jogo, Paulo e eu escolhemos um time e nos jogamos nas torcidas, que acabam interagindo conosco com os gritos e cânticos de suas seleções. Entre as interações mais divertidas tivemos a possibilidade de conhecer o presidente do Deportivo La Coruña, que estava junto com os torcedores espanhóis; ganhar uma camisa da Costa Rica pelo fato do Paulo torcer para a seleção da América Central; e por muitas vezes ser confundido por estrangeiros.

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Esta última nos garantiu muitas risadas, os brasileiros pensam que somos gringos e começam a falar inglês e espanhol conosco. Em uma delas, durante o jogo de Alemanha e Portugal, preocupados com o calor na Arena Fonte Nova, os torcedores me chamaram a atenção para proteger o Paulo do calor, a tentativa foi em inglês, vendo a dificuldade em falar o idioma emendei: Pode falar português.

“Ah! Você fala português, Sorry”. Completou a mulher. E meu pensamento foi, sorry o cacete eu falo português.

Entre essas e outras experiências, o Mundial no Brasil demonstra que o futebol é um mero detalhe diante da atmosfera que a Copa pode proporcionar, pois para quem está habituado a ir a jogos de seu time com receio de confusão. A possibilidade de conviver com diversas nacionalidades ao mesmo tempo recebendo sorrisos e demonstrações de carinho faz valer cada quilômetro rodado por esse projeto.

Giuliano Giovanetti, 28 anos, é jornalista, locutor, comunicólogo, boêmio e farofeiro de plantão. Paulistano da gema – apesar do sotaque parecer de outro lugar – não dispensa um bom samba, estar entre os amigos e viajar em busca de novas experiências.

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