23 anos de estrada

Quando pensei na possibilidade de concretizar a viagem do Copa sobre Rodas de carro, a única ideia que me vinha era a chance de repetir parte do feito que meu pai fez em 1991, quando partiu de São Paulo e foi até Belém do Pará. No carro estavam minha mãe, meus dois irmãos e eu, com apenas 5 anos de idade. Essa aventura que percorreu o Nordeste brasileiro até chegar no único estado do Norte que ‘conheço’ até hoje, sempre permeou as conversas sobre viagens da família, e desde então tive facinação por fazer algo do gênero.

Com os ingressos garantidos para os jogos em Salvador tive a oportunidade perfeita para realizar o sonho de infância. Não exitei, tratei logo de convencer o Paulo – o que não é muito difícil – a embarcar nesta ideia. Quando contei aos familiares que iria para o Nordeste de carro, as reações foram misto de euforia com preocupação. Esta última por conta de como iria encontrar as estradas brasileiras.

Confesso que me passou pela cabeça de que as estradas não seriam tão boas e o fato de ser o único motorista iria dificultar o trajeto. Após percorridos mais de 2.000 quilômetros, de São Paulo a Salvador, minha impressão mudou. Os comentários que ouvi sobre a condição das rodovias não se concretizaram, principalmente, aqueles sobre os buracos na pista.

Lembro de meu irmão contando que há 23 anos, quando passávamos pela Bahia, meninos tapavam os buracos com madeiras em troca de alguns centavos. Hoje a situação está diferente, os únicos problemas, se é que posso chamar assim, foram as inúmeras paradas nos trechos em obras de duplicação na rodovia entre Vitória da Conquista e Feira de Santana. Aliás esta última cidade não guardava boas recordações por ter forçado meu pai a parar nela ao ter dois pneus furados na viagem de 91.

Agora, em Feira de Santana há possibilidade de aproveitar uma estrada nova e com alguns trechos duplicados, o que me surpreendeu. Assim, nestes 23 anos de estrada a lembraça que fica é a da brincadeira que fazia com meu pai de advinhar o veículo da pista contrária pelo farol, quando pegávamos estrada a noite.

Giuliano Giovanetti, 28 anos, é jornalista, locutor, comunicólogo, boêmio e farofeiro de plantão. Paulistano da gema – apesar do sotaque parecer de outro lugar – não dispensa um bom samba, estar entre os amigos e viajar em busca de novas experiências.

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